
Decidi visitar uma amiga nesse último final de semana. Estamos sempre nos falando por telefone, entretanto, a conversa e os passeios feitos pessoalmente, são mais agradáveis e nos mantém mais próximas.
Como ela mora longe de minha casa, decidi fazer a viagem de trem, assim ficaria mais econômica. Havia pelo menos uns trinta anos que eu não viajava de trem e foi uma volta ao tempo.
Os dias passaram tão rápido que mal pudemos fazer todos os passeios que queríamos; o tempo não ajudou, chovia copiosamente e acabamos por ficar mais tempo dentro de casa.
Chegou o dia em que eu deveria voltar para casa. Tão logo comprei o bilhete, o trem já vinha parando na estação. Precipitei-me pela porta que estava a minha frente, caso contrário eu o perderia e teria que esperar o próximo.
Não consegui sentar apesar do trem não estar lotado, apenas eu e mais seis pessoas estávamos em pé. Não era um trem moderno, suas características demonstravam que há muito já faz esse percurso, em um leva e trás de trabalhadores que dele necessitam para se locomoverem. O desgaste era visível na aparência interior e na trepidação do contato de suas rodas de ferro com a linha férrea.
Enquanto a viagem transcorria fiquei observando as pessoas que nele viajavam e tive uma grata surpresa.
Sentado, um senhor que aparentava uns setenta anos com um cavanhaque muito bem aparado, trajava uma calça jeans desbotada pela quantidade de lavagens, sapatos gastos e bem polidos na cor marrom, casaco que cobria uma camisa igualmente surrada (porém limpa), chapéu panamá com uma fita vermelha e um livro com as páginas amareladas que ele lia com muita atenção durante toda a viagem. Uma herança antiga ou tomado emprestado em uma biblioteca pública.
Não pude ver o nome do livro, mas quanta dignidade havia naquele homem! Nem os gritos dos vendedores ambulantes nem as paradas nas estações o faziam deixar a leitura e a postura de um verdadeiro lord.
Ao chegar em casa, pus-me a pensar no tal homem e na pobreza que leva os mais necessitados a andar de trem, por ser um meio de transporte popular, e cheguei à conclusão de que não importa o meio em que vivemos, nem a nossa situação financeira, se quisermos podemos ser ricos de cultura e de espírito. A pobreza não justifica trajes sujos, destemperos, ambição e inveja. Estive diante de um lord pobre financeiramente, mas rico em postura comportamental. Se todos se alimentassem com um pouco de educação, o mundo seria infinitamente melhor.
Como ela mora longe de minha casa, decidi fazer a viagem de trem, assim ficaria mais econômica. Havia pelo menos uns trinta anos que eu não viajava de trem e foi uma volta ao tempo.
Os dias passaram tão rápido que mal pudemos fazer todos os passeios que queríamos; o tempo não ajudou, chovia copiosamente e acabamos por ficar mais tempo dentro de casa.
Chegou o dia em que eu deveria voltar para casa. Tão logo comprei o bilhete, o trem já vinha parando na estação. Precipitei-me pela porta que estava a minha frente, caso contrário eu o perderia e teria que esperar o próximo.
Não consegui sentar apesar do trem não estar lotado, apenas eu e mais seis pessoas estávamos em pé. Não era um trem moderno, suas características demonstravam que há muito já faz esse percurso, em um leva e trás de trabalhadores que dele necessitam para se locomoverem. O desgaste era visível na aparência interior e na trepidação do contato de suas rodas de ferro com a linha férrea.
Enquanto a viagem transcorria fiquei observando as pessoas que nele viajavam e tive uma grata surpresa.
Sentado, um senhor que aparentava uns setenta anos com um cavanhaque muito bem aparado, trajava uma calça jeans desbotada pela quantidade de lavagens, sapatos gastos e bem polidos na cor marrom, casaco que cobria uma camisa igualmente surrada (porém limpa), chapéu panamá com uma fita vermelha e um livro com as páginas amareladas que ele lia com muita atenção durante toda a viagem. Uma herança antiga ou tomado emprestado em uma biblioteca pública.
Não pude ver o nome do livro, mas quanta dignidade havia naquele homem! Nem os gritos dos vendedores ambulantes nem as paradas nas estações o faziam deixar a leitura e a postura de um verdadeiro lord.
Ao chegar em casa, pus-me a pensar no tal homem e na pobreza que leva os mais necessitados a andar de trem, por ser um meio de transporte popular, e cheguei à conclusão de que não importa o meio em que vivemos, nem a nossa situação financeira, se quisermos podemos ser ricos de cultura e de espírito. A pobreza não justifica trajes sujos, destemperos, ambição e inveja. Estive diante de um lord pobre financeiramente, mas rico em postura comportamental. Se todos se alimentassem com um pouco de educação, o mundo seria infinitamente melhor.






16 comentários:
O homem é feito visivelmente para pensar; é toda a sua dignidade e todo o seu mérito; e todo o seu dever é pensar bem.
Blaise Pascal
Abraços forte
Cris e que espetáculo de lição nos trás, amiga!
Presto muita atenção nas pessoas que sentam comigo quando num ônibus, num micro... os humildes fisicamente posso te assegurar que tem esse gene desconhecido daqueles pobres de espírito.
Que bacana.
beijos, Maria Marçal - Porto Alegre - RS
Amiga Cris, que texto brilhante! Esse passeio de trem foi um verdadeiro tesouro, pois fez com que você observasse os mínimos detalhes de uma situação tão singular. A pobreza não está na aparência e nem nas condições financeiras de uma pessoa, mas sim, na alma. Parabéns pela postagem. Abraços. Roniel.
A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos pois pensar bem. Nisto reside o princípio da moral.
Parabéns pelo texto um abração e bjo.
Cris, li até o final. E é bom dar uns passeios assim diferente para a gente poder conhecer os "lords" que o mundo deixa passar desapercebidos.
bjs
Oi, tudo bem? Também presto muita atenção nos ônibus da vida, isso quando posso, é claro, rs. Você observa as pessoas e nem faz idéias dos mundos, universos, galáxias em que vivem mas nos pequenos de detalhes você percebe alguma pista mesmo que essa não diga muito. Quando uma pessoa lê dentro de um ambiente como esse , é como se fechasse para o mundo real temporariamente e se lançasse para outro, esse bem mais interessante em que os personagens são reais e suas histórias se tornam a nossa pelo fascínio que exercem. É uma delicia. E tudo isso, finalizando, faz com que tenhamos uma postura apropriada para tal imersão, senão fica difícil.
Abraços
belo post.
oi miga kkkkkkkk pelo ao mesnos te fiz viajar de trem q bom que vc gostou eu amei depois de anos que nos conhecemos tê-la aqui em casa poderíamos fazer isso mais vezes e o faremos cobcerteza, pena eu não ter visto esse tal senhor mais é isso mesmo ser pobre não significa não ter atitudes dignas e procurar um pouco de cultura , bjusss
Realmente vc é uma felizarda, viajar de trem, com certeza, é uma volta no tempo. Por que infelizmente o transporte ferroviário no Brasil foi esquecido em favor do transporte rodoviário.
A outra é saber que nem tudo está perdido, ainda existe sim, cavalheiros; raro, mas existe.
Bj
Saudações!
Amiga CRIS, a crônica é impecável e o registro do passageiro, leitor e cavalheiro me remeti a tempos memoráveis quando eu usava o ônibus, sempre eu levava um livro de bolso para fazer o percurso.
Dignidade sempre!
Parabéns pelo lindo Post!
Abraços,
LISON.
Olá querida Cris,
Adorei a crônica.
Muitas vezes observamos pessoas pobres, mal vestidas e sujas, mas são pessoas que além da pobreza física têm a pobreza de espírito.
Esse "lord" que a motivou a escrever esta belíssima crônica é o exemplo da dignidade humana, que, a despeito de sua miserabilidade social e física, possui a riqueza da alma, a cultura, o conhecimento e o comportamento ético e probo.
Parabéns pela postagem.
Carinhoso e fraterno abraço,
Lilian
Cris, eu fiquei com agua na boca querendo estar na mesma viagem, curtiria, com certeza, das mesmas observações. Eu procuro observar as pessoas, porque muitas vezes somos tão exigentes e críticos, podemos encontrar meios de aprender a ser mais naturais.
A sabedoria dignifica o homem e esta nunca é beliscada pela pobreza, ao contrário! Dá mais suporte para reforçar seu comportamento.
Me fez lembrar de uma passagem bíblica que diz: é mais fácil passar um camelo pelo fundo duma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
Não sou assim tão radical! Mas percebo que os pobres que são honestos, tentam ao máximo se resguardar com atitudes e comportamentos. Ter dignidade acaba sendo natural para as pessoas honestas, educadas e bem nascidas. O berço é que forma o caráter! Beijus,
quer ler o que eu escrevi uma vez num outro blogg que o google me tirou???
tenho absoluta convicção de que a cultura, particularmente, a leitura é transformadora. sem cultura, não existe a capacidade do entendimento de qualquer situação, por mais corriqueira que seja. a boa leitura aciona em nosso cérebro um mecanismo de defesa que nos impede de acreditar em falácias, ativa o senso crítico, nos dá independência, nos dá dignidade, nos torna capazes de avaliar, resolver adversidades ...
é isso.
beijo.
Conheci o blog há pouco tempo e estou gostando muito!
Continue escrevendo crônicas, você é muito boa nisso!
Muito interessante
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